“Planta que Cresce” – Uma experiência de sucesso na recuperação do Cerrado

Consciência, esforço e dedicação. Conheça a propriedade “Planta que cresce”, um modelo de conservação ambiental na zona rural de Pirenópolis.

Há 18 anos, o ambientalista George de Melo decidiu iniciar uma intensa atividade de reflorestamento na propriedade do pai, situada na zona rural da cidade de Pirenópolis, em Goiás. Hoje, a área de 10 hectares de Cerrado, antes tomada por pastos e plantação de eucalipto, é exemplo de sucesso em recuperação, preservação e educação ambiental. A propriedade recebe o nome de “Planta que Cresce” e, pouco depois do início das atividades de conservação já recebia a visita de grupos, escolas e universidades. Estudantes da Califórnia e participantes do Encontro Nacional de Biologia também já passaram por lá.

George é agente ambiental da Agência Brasileira de Meio Ambiente e Tecnologia da Informação (Ecodata) no município de Corumbá de Goiás. Atua nesta função há pouco menos de seis meses, mas já realiza serviços de consultoria, excursões, oficinas, capacitação e projetos para a Agência há mais de seis anos.

Segundo o agente, a propriedade “Planta que Cresce” foi enriquecida com espécies nativas do Cerrado e plantas exóticas, e o reflorestamento realizado com técnicas como o plantio direto de sementes, a nucleação e o sistema agroflorestal. “Onde a área foi reflorestada com sementes, percebemos que a vegetação é mais fechada. Na agrofloresta, contamos com uma técnica que permite recuperar e ao mesmo tempo produzir alimentos para subsistência ou venda. Aqui ela existe há apenas dois anos e meio e já colhi milho, feijão, amendoim, banana, mandioca. No processo de nucleação, como eu tinha muitas sementes de frutas, construí poleiros que atraiam pássaros, macacos e morcegos. Isso ajudou a trazer sementes de outras localidades e acelerou o processo de recuperação,” explica George.

Preservar o bioma e comercializar os frutos

As mais de 100 espécies de plantas e frutas existentes na “Planta que Cresce” foram colocadas ali para a recuperação da vegetação original, o Cerrado. Mas do cuidado com a natureza, George também teve que aprender a gerar sua própria renda. Para ele, uma das grandes dificuldades encontradas na atividade ambiental foi a falta de incentivo financeiro. “Não tive e nem busquei apoio financeiro para cuidar daqui, então acabei investindo muito dinheiro do meu próprio bolso. Os investimentos na propriedade chegaram a comprometer o conforto da família,” afirma o ambientalista.

A propriedade “Planta que Cresce” também possui um viveiro de mudas. Segundo o agente ambiental, hoje já existem muitas pesquisas na área de recuperação que propõem técnicas viáveis e de baixo custo, mas esse não é o caso deste ‘berçário de plantas’. “Cultivar mudas é muito legal, mas é um dos processos mais caros de reflorestamento. A tela que cobre a estrutura e a matéria orgânica necessária para o cultivo, por exemplo, encarecem a atividade”, explica.

Os problemas financeiros estavam relacionados a uma preocupação maior com a preservação do que com a comercialização. O cenário mudou. “Hoje eu consigo conciliar os dois. Estou plantando árvores e frutas comerciais”, afirma George. Ele cita o exemplo da Acacia manja, também conhecida como Cedro Italiano, uma espécie exótica que, dentre outras, é utilizada para o plantio comercial da propriedade. George classifica a árvore como sendo melhor que o Eucalipto, pois tem crescimento rápido e baixo impacto ambiental. “Ela pode alcançar até 50 m de altura, fixa nitrogênio no solo e não consome tanta água como o Eucalipto. Além de um bom preço de mercado, a Acácia gera matéria orgânica de boa qualidade para adubar a terra”, explica o agente da Ecodata.

Esvaziamento do campo

No ano passado, todos os funcionários da “Planta que cresce” deixaram a zona rural em busca de oportunidades na cidade. Com George não poderia ser diferente. Ele explica que manter uma propriedade de um tamanho equivalente a 10 campos de futebol exige mão de obra e muito esforço. “Quando idealizei, não imaginava que teria tanto trabalho físico para fazer isso tudo. Agora todos foram trabalhar com construção civil e eu fiquei sem funcionário. Infelizmente, também tive que acabar voltando para a cidade”, afirma.
Com a saída do pessoal, as visitações à “Planta que Cresce” foram interrompidas. O ambientalista conta que continua cuidando da propriedade, não da mesma forma como antes, quando vivia dentro dela, mas garante que quando tiver mais condições vai reestruturar o projeto.

Exemplo de sucesso

O agente ambiental afirma que o modelo de recuperação e conservação da “Planta que Cresce” serve de exemplo para propriedades vizinhas e visitantes. “As pessoas vêem o resultado obtido aqui e buscam melhorar, recuperar e enriquecer a própria terra. Vários vizinhos começaram a preservar suas matas de galeria e cercar as nascentes. Também vieram comprar sementes e mudas aqui”, comenta. Segundo George, nas proximidades havia nascentes que secaram e hoje são perenes. Sobre o plantio de eucaliptos e a monocultura da soja ele afirma que ambos empobrecem o solo. E completa: “Aqui é um modelo de recuperação com espécies nativas. Eu sou apaixonado pelo Cerrado, ele é lindíssimo, riquíssimo. A propriedade “Planta que Cresce” é uma experiência que mostra ser possível ter biodiversidade e um modelo que pode ser mais rentável que as monoculturas.”

Experiência com a natureza

George de Melo conta que a interação vivida com a natureza é uma experiência espiritual:
“Eu devia ter entre 19 e 20 anos, e era muito revoltado, gostava de chocar, fazer vandalismo e até arriscar a minha vida. Por causa disso eu sofri vários acidentes e percebi que havia algo errado, que se continuasse daquele jeito iria morrer. Então um dia, observando a minha vida, tive uma vontade enorme de me entregar para a espiritualidade, de fazer a vontade de Deus. Quando disse isso para mim mesmo, tive um despertar espiritual e, a partir desse dia, passei a sentir amor pelas pessoas ao invés de revolta. Um amor pela natureza. Senti muito a ambição humana e percebi que queria fazer a minha parte. Então comecei a ministrar palestras em escolas, falando de educação ambiental e ecologia humana, falando sobre como estamos cuidando de nós mesmos.”

E fala sobre a lição de vida:

“Acho interessante olhar para trás e ver a experiência que vivi. Eu curtia várias coisas, mas não era pleno, não me realizava muito, até descobrir minha função de poder auxiliar as pessoas. Sabendo do meu papel eu me sinto mais conectado e direcionado. Aqui sinto que estou ajudando a criação, co-criando.”

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4 comentários
  1. Zeria Severo da Costa disse:

    Que sorte termos pessoas especiais como voce, com tanta dedicação e respeito a natureza. Eu conheço esse pedaço de chão tão maravilhoso e recomendo para visitação, principalmente pra quem tem vontade de iniciar um viveiro ou esta pensando em recuperar sua propriedade,No Planta que Cresce é o local onde discobrimos que somos capazes de fazer a nossa parte.
    Parabens George, Que Deus ilumine os teus passos!

    • Olá, Zeria!

      Agradecemos pela interação com o Ecodata Informa.
      O Planta que Cresce é mesmo um exemplo em recuperação de área degradada.
      Continue acompanhando nossas reportagens e atividades!

      Ecodata Informa

  2. Andreza de Lima disse:

    Meu pai tem um plantio pequeno de acácia manja, ele está meio perdido por não ter experiência com o mercado, não sabe as aplicabilidades da espécie no mercado, e pra completar as mudas já plantadas estão morrendo. E então buscando informações sobre o assunto, por ser estudante de engenharia florestal, encontrei nesse projeto e nessa reportagem uma nova visão e quem sabe um novo horizonte, por isso eu gostaria de mais informações sobre o plantio de acácia manja, fiquei super interessada no projeto, parabéns!

  3. Ronaldo disse:

    Olá tenho interesse em adquirir mudas com crescimento rápido. Ouvi falar da embaúba. Posso encontrá-lá aí no viveiro Planta que cresce ? Qual o endereço/telefone do viveiro?

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