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Arquivo mensal: abril 2012

Consciência, esforço e dedicação. Conheça a propriedade “Planta que cresce”, um modelo de conservação ambiental na zona rural de Pirenópolis.

Há 18 anos, o ambientalista George de Melo decidiu iniciar uma intensa atividade de reflorestamento na propriedade do pai, situada na zona rural da cidade de Pirenópolis, em Goiás. Hoje, a área de 10 hectares de Cerrado, antes tomada por pastos e plantação de eucalipto, é exemplo de sucesso em recuperação, preservação e educação ambiental. A propriedade recebe o nome de “Planta que Cresce” e, pouco depois do início das atividades de conservação já recebia a visita de grupos, escolas e universidades. Estudantes da Califórnia e participantes do Encontro Nacional de Biologia também já passaram por lá.

George é agente ambiental da Agência Brasileira de Meio Ambiente e Tecnologia da Informação (Ecodata) no município de Corumbá de Goiás. Atua nesta função há pouco menos de seis meses, mas já realiza serviços de consultoria, excursões, oficinas, capacitação e projetos para a Agência há mais de seis anos.

Segundo o agente, a propriedade “Planta que Cresce” foi enriquecida com espécies nativas do Cerrado e plantas exóticas, e o reflorestamento realizado com técnicas como o plantio direto de sementes, a nucleação e o sistema agroflorestal. “Onde a área foi reflorestada com sementes, percebemos que a vegetação é mais fechada. Na agrofloresta, contamos com uma técnica que permite recuperar e ao mesmo tempo produzir alimentos para subsistência ou venda. Aqui ela existe há apenas dois anos e meio e já colhi milho, feijão, amendoim, banana, mandioca. No processo de nucleação, como eu tinha muitas sementes de frutas, construí poleiros que atraiam pássaros, macacos e morcegos. Isso ajudou a trazer sementes de outras localidades e acelerou o processo de recuperação,” explica George.

Preservar o bioma e comercializar os frutos

As mais de 100 espécies de plantas e frutas existentes na “Planta que Cresce” foram colocadas ali para a recuperação da vegetação original, o Cerrado. Mas do cuidado com a natureza, George também teve que aprender a gerar sua própria renda. Para ele, uma das grandes dificuldades encontradas na atividade ambiental foi a falta de incentivo financeiro. “Não tive e nem busquei apoio financeiro para cuidar daqui, então acabei investindo muito dinheiro do meu próprio bolso. Os investimentos na propriedade chegaram a comprometer o conforto da família,” afirma o ambientalista.

A propriedade “Planta que Cresce” também possui um viveiro de mudas. Segundo o agente ambiental, hoje já existem muitas pesquisas na área de recuperação que propõem técnicas viáveis e de baixo custo, mas esse não é o caso deste ‘berçário de plantas’. “Cultivar mudas é muito legal, mas é um dos processos mais caros de reflorestamento. A tela que cobre a estrutura e a matéria orgânica necessária para o cultivo, por exemplo, encarecem a atividade”, explica.

Os problemas financeiros estavam relacionados a uma preocupação maior com a preservação do que com a comercialização. O cenário mudou. “Hoje eu consigo conciliar os dois. Estou plantando árvores e frutas comerciais”, afirma George. Ele cita o exemplo da Acacia manja, também conhecida como Cedro Italiano, uma espécie exótica que, dentre outras, é utilizada para o plantio comercial da propriedade. George classifica a árvore como sendo melhor que o Eucalipto, pois tem crescimento rápido e baixo impacto ambiental. “Ela pode alcançar até 50 m de altura, fixa nitrogênio no solo e não consome tanta água como o Eucalipto. Além de um bom preço de mercado, a Acácia gera matéria orgânica de boa qualidade para adubar a terra”, explica o agente da Ecodata.

Esvaziamento do campo

No ano passado, todos os funcionários da “Planta que cresce” deixaram a zona rural em busca de oportunidades na cidade. Com George não poderia ser diferente. Ele explica que manter uma propriedade de um tamanho equivalente a 10 campos de futebol exige mão de obra e muito esforço. “Quando idealizei, não imaginava que teria tanto trabalho físico para fazer isso tudo. Agora todos foram trabalhar com construção civil e eu fiquei sem funcionário. Infelizmente, também tive que acabar voltando para a cidade”, afirma.
Com a saída do pessoal, as visitações à “Planta que Cresce” foram interrompidas. O ambientalista conta que continua cuidando da propriedade, não da mesma forma como antes, quando vivia dentro dela, mas garante que quando tiver mais condições vai reestruturar o projeto.

Exemplo de sucesso

O agente ambiental afirma que o modelo de recuperação e conservação da “Planta que Cresce” serve de exemplo para propriedades vizinhas e visitantes. “As pessoas vêem o resultado obtido aqui e buscam melhorar, recuperar e enriquecer a própria terra. Vários vizinhos começaram a preservar suas matas de galeria e cercar as nascentes. Também vieram comprar sementes e mudas aqui”, comenta. Segundo George, nas proximidades havia nascentes que secaram e hoje são perenes. Sobre o plantio de eucaliptos e a monocultura da soja ele afirma que ambos empobrecem o solo. E completa: “Aqui é um modelo de recuperação com espécies nativas. Eu sou apaixonado pelo Cerrado, ele é lindíssimo, riquíssimo. A propriedade “Planta que Cresce” é uma experiência que mostra ser possível ter biodiversidade e um modelo que pode ser mais rentável que as monoculturas.”

Experiência com a natureza

George de Melo conta que a interação vivida com a natureza é uma experiência espiritual:
“Eu devia ter entre 19 e 20 anos, e era muito revoltado, gostava de chocar, fazer vandalismo e até arriscar a minha vida. Por causa disso eu sofri vários acidentes e percebi que havia algo errado, que se continuasse daquele jeito iria morrer. Então um dia, observando a minha vida, tive uma vontade enorme de me entregar para a espiritualidade, de fazer a vontade de Deus. Quando disse isso para mim mesmo, tive um despertar espiritual e, a partir desse dia, passei a sentir amor pelas pessoas ao invés de revolta. Um amor pela natureza. Senti muito a ambição humana e percebi que queria fazer a minha parte. Então comecei a ministrar palestras em escolas, falando de educação ambiental e ecologia humana, falando sobre como estamos cuidando de nós mesmos.”

E fala sobre a lição de vida:

“Acho interessante olhar para trás e ver a experiência que vivi. Eu curtia várias coisas, mas não era pleno, não me realizava muito, até descobrir minha função de poder auxiliar as pessoas. Sabendo do meu papel eu me sinto mais conectado e direcionado. Aqui sinto que estou ajudando a criação, co-criando.”

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As principais diretrizes que norteiam as questões ambientais no Brasil são três pilares do direito ambiental: a Constituição Federal, a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente e o Código Florestal. O bioma Cerrado não está na Constituição. Na Política Nacional há uma série de padrões e mecanismos de proteção ao meio ambiente, mas o Cerrado só está realmente protegido pelo Código Florestal, que agora está em profunda alteração.

Se considerarmos os principais biomas, o Cerrado é o que mais vai sofrer com as mudanças no Código Florestal. As novas propostas estão ligadas, principalmente, com as questões que envolvem as Reservas Legais e as Áreas de Proteção Permanente (APPs). Hoje não há nenhum mecanismo, nenhum instrumento fora o que está no Código Florestal, para que o Cerrado seja protegido. A situação é inversa a da Amazônia: A floresta tem 80% de área preservada em Reserva Legal e 20% disponível para as demais práticas. No Cerrado temos 80% de área liberada para as demais práticas e 20% para proteção, como é o caso das reservas legais.

Então quando falamos na criação do Código Florestal, que é um código de 1934, alterado em 1965 e que depois obteve algumas medidas provisórias, o foco do país era na Amazônia. Tão certo isso que a fronteira do país na questão do bioma Cerrado foi para o desenvolvimento da agropecuária com força total. Houve alteração na utilização do solo e hoje temos um bioma de 204 milhões de hectares onde a metade disso já foi tomada principalmente pela agricultura e pastagem.

Com o “novo” Código Florestal querem anistiar os que desmataram até 2008. Se hoje tivéssemos no Cerrado os 20% de Reserva Legal protegidos e as medidas estabelecidas para as APPs também protegidas, teríamos uma situação favorável, mas não temos isso. O que se tem é uma situação caótica para o bioma. Pensando em termos de área, o Cerrado não tem 3% de todo o percentual protegido em Unidades de Conservação de Proteção Integral. O desmatamento do bioma é muito alto, três vezes maior que a Amazônia, o que comprometerá todos aqueles que vivem nesta região nos próximos 20 anos.

É muito importante começarmos a trabalhar tecnologias diferenciadas para a área de uso alternativo do solo do Cerrado. Hoje utilizamos essa área que não é nem Reserva Legal e nem APP, para a pastagem e o agronegócio, para o plantio de soja e milho, por exemplo. Acredito que já passamos da hora de utilizar a pesquisa para trabalhar com as espécies nativas do Cerrado. É preciso atuar nas áreas de uso alternativo e não só no enriquecimento de uma reserva legal, mas com plantios consorciados das principais espécies que hoje estão no mercado como o Baru, o Pequi, a Mangaba, a Cagaita e o Araticum, e tantas outras, para que possamos verificar o potencial produtivo dessas espécies em seu ambiente nativo. Além disso, todos aqueles que conservam áreas além da estabelecida pela legislação, devem ser premiados, pela prestação de serviços ambientais.

Mas para que isso aconteça, é necessário uma Legislação para o Bioma e os investimentos nos planos de manejos e créditos diferenciados para estas atividades. Desconheço a utilização de Planos de Manejo para Reservas Legais que funcionam no Cerrado, para explorar o extrativismo. Na Amazônia existem Planos de Manejo e Extrativismo Sustentável. Os Planos de Manejo indicam o que pode ser feito dentro da Reserva Legal, o que e como poderá ser utilizado, plantado e retirado. No Cerrado isso ainda é irrisório.

Se a nova proposta do Código Florestal for aprovada, teremos anistia para as pessoas que desmataram. Isso é um retrocesso. Como criar uma Lei ou fazer a modificação de uma Lei para que ela retroceda, que seja menos restritiva? Em 2012, vamos pegar o Código de 1965 e reduzir áreas para permitir mais desmatamento? Isso não é um Código, é uma descaracterização do Código Florestal. A Lei nos assegura que façamos parte de um meio ecologicamente equilibrado. Com a mudança, o Cerrado sofre alterações negativas nas Reservas Legais, impacto direto nos recursos hídricos e na redução de áreas de preservação permanente. Teremos um aumento impressionante no desmatamento e isso é muito preocupante. É um verdadeiro retrocesso para a legislação do País.

Elisa Maria Meirelles é Engenheira Florestal e Gerente de projetos da Agência Brasileira de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – Ecodata.

Pesquisador em Hidrologia e Recursos Hídricos na Empresa Brasileira de Agricultura e Pecuária (Embrapa), Jorge Werneck falou ao Ecodata Informa sobre a importância do Cerrado para os recursos hídricos brasileiros, os impactos causados pelo desmatamento do bioma e o papel do Governo e da sociedade nesse contexto.

Confira a entrevista.

Ecodata Informa: O que são Regiões Hidrográficas?

Jorge Werneck: Até o ano de 2003, o Brasil era subdividido em oito grandes bacias hidrográficas. A partir desse ano, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos aprovou uma divisão do território brasileiro em 12 grandes regiões hidrográficas.  Porque o nome de regiões hidrográficas: porque em algumas delas você encontra mais de uma bacia dentro. Por exemplo, o litoral possui várias bacias não tão grandes e que deságuam no oceano, por isso que recebe o nome de região hidrográfica. Algumas regiões são bacias hidrográficas, como é o caso do São Francisco, Paraná e Paraguai.

Ecodata Informa: O que acontece com a água do bioma Cerrado?

Jorge Werneck: O Planalto Central brasileiro está localizado no bioma Cerrado. A região, como o próprio nome diz, é central e alta. Então ela acaba funcionando como se fosse um grande “guarda-chuva”, um grande reservatório que acaba participando da distribuição da água por todo o continente sul-americano, não só Brasil. Quando você pensa na bacia do Paraná e do Paraguai, por exemplo, e que nascem no Cerrado, está pensando em outros países que estão águas abaixo.
Das 12 regiões hidrográficas, oito são abastecidas por águas que vêm do Cerrado. Isso representa um grande percentual do território. As bacias do Paraná, Paraguai, Tocantins-Araguaia, do São Francisco, um pouco da bacia Amazônica e algumas bacias do Atlântico recebem águas do Cerrado.

Ecodata Informa: Qual a contribuição do Cerrado para as demais bacias hidrográficas do Brasil?

Jorge Werneck: Assim que eu cheguei para trabalhar na Embrapa Cerrados, em 2001, ouvia muito que “o Cerrado é o pai das águas do Brasil… É o berço das águas do Brasil… O grande reservatório das águas do Brasil.” Então uma das coisas que quis fazer foi quantificar, saber quanto o Cerrado é importante para cada uma dessas bacias e regiões hidrográficas.
Neste trabalho, peguei os limites do Cerrado e comparei a vazão que atravessa esses limites com a vazão que sai na foz das bacias. A partir disso cheguei a alguns valores interessantes: O Cerrado ocupa 47% da área da bacia do São Francisco e reponde por mais de 90% da água que passa na foz da bacia. Para a região hidrográfica do Tocantins-Araguaia, o Cerrado contribui com pouco mais de 60% da água que é gerada. Para a bacia do Tocantins-Araguaia, este valor chega a mais de 70%.
Na bacia do Paraná, cerca de 50% da foz brasileira também vem do Cerrado. A metade da vazão que passa em Itaipú é gerada no bioma Cerrado.  Ou seja, 50% da energia gerada em Itaipú. e se você considerar toda a cascata vai dar mais do que isso, um percentual razoável da energia gerada no Brasil, vem das águas do Cerrado. Em alguns lugares os dados foram ainda mais interessantes. Na bacia do Parnaíba, por exemplo, também abastecida pelo Cerrado, mais de 100% da vazão que sai na foz veio do bioma.
Outro número alto é referente à vazão da bacia do Paraguai, quase 140%. O número ocorre porque abaixo desta bacia está o Pantanal, uma grande área alagada. É como se fosse um grande tanque de evaporação, então, passa mais água do Cerrado para o Pantanal do que do Pantanal para o rio Paraguai. O balanço hídrico do Pantanal, de uma forma global, é negativo. É como se ele consumisse grande parte da água que vem do Cerrado.

Ecodata Informa: Qual a importância da manutenção adequada do bioma Cerrado?

Jorge Werneck: Se o bioma continuar a ser impactado, a alteração provocará um efeito dominó. O ambiente é adaptado aos animais, às pessoas. A vida gira em torno disso e aí você consegue ver claramente qual a importância dos recursos hídricos que são gerados no Cerrado. Além da importância que tem para as pessoas que moram no bioma, abastecimento, irrigação, produção de alimento e geração de energia elétrica no País. A manutenção da região hidrográfica impacta praticamente todo o Brasil. Isso levanta a questão da necessidade de bom trato deste recurso.

Ecodata Informa: Que tipo de alterações o desmatamento provoca no ciclo hidrológico?

Jorge Werneck: Quando o desmatamento é feito para uma ocupação não muito adequada, que deixa o solo exposto, que não cobre rapidamente o solo, plantio de culturas de crescimento rápido, você acaba causando o secamento do solo. Estes impactos geralmente são notados em escala muito menor, em pequenas bacias. Mas em longo prazo, fazendo isso em muitos locais, é possível causar interferência. Em cidades e locais com grandes concentrações de pessoas, você normalmente vai encontrar problemas com a qualidade da água.
Quando se fala em agricultura, uma atividade que usa grandes áreas e, obviamente tem alguma coisa de poluição difusa, diferente da poluição concentrada (gerada pelos centros urbanos), temos um problema de conflito. Quando você utiliza os recursos hídricos sem considerar a capacidade de suporte das bacias hidrográficas, onde você implementa, por exemplo, sistemas de irrigação em áreas concentradas sem considerar a vazão disponível no rio, de forma adequada, por falta de informação ou problemas de gestão, ou por tudo isso somado, tem-se um conflito estabelecido.

Ecodata Informa: O que poderia falar sobre…

A gestão dos recursos hídricos no Brasil

Jorge Werneck: A gestão dos recursos hídricos brasileiros vem evoluindo de forma até rápida para que possamos minimizar problemas, para que façamos um ordenamento do uso do solo, compatível com a disponibilidade hídrica e os riscos ambientais envolvidos.

Saneamento

Jorge Werneck: A questão do saneamento é primordial. Muitas vezes as prefeituras e os governos não fazem os investimentos que deveriam. Há um passivo nisso, quer dizer, é preciso muito dinheiro para resolver problema de saneamento no país. Acho que a situação tem melhorado: saneamento, sistemas de drenagem, e as cidades menores já começam a verificar que isso é uma coisa séria, inclusive é uma questão de saúde, porque o ser humano, como elemento poluidor, contribui para a geração de lixo e de sujeira.
Saneamento é uma questão geral. O Distrito Federal, por exemplo, cresce quase 100 mil habitantes por ano. Nunca vi crescer tanto assim. Isso tudo, obviamente, reflete nos recursos hídricos, pois significa um lançamento de esgoto in natura. Para atender a necessidade crescente, os sistemas de tratamento tem que estar o tempo todo evoluindo e aumentando suas fontes de captação.

Agricultura

Jorge Werneck: Em termos de agricultura, o que chama atenção, hoje no Cerrado são os 60 milhões de hectares sob pastagem, e boa parte dessa pastagem tem algum grau de degradação. Isso acaba se refletindo como um problema: atrapalha infiltração, aumenta escoamento e erosões. Se você tem uma boa pastagem, não tem coisa melhor para uma cobertura de solo, porque ela realmente evita o impacto da gota, o escoamento e o carreamento de sedimentos. Mas quando você tem a pastagem em um certo grau de degradação, todos esses benefícios que poderiam ser gerados, acabam piorando a situação do que se tinha originalmente no Cerrado.

A entrada da cana no Cerrado

Jorge Werneck: Este é um assunto que tem chamado atenção. Estamos buscando gerar dados e informações para isso. Em muitos locais o regime de chuva não é suficiente para manter a produção, ou seja, você precisa de irrigação. Temos feito estudos para tentar quantificar o quanto se pode utilizar da água para isso. Estima-se que o Cerrado tenha o potencial de 10 milhões de hectares para serem irrigados e hoje, são irrigados aproximadamente 1 milhão de hectares. Ainda há um grande potencial, porém é isso deve ser feito de uma forma muito bem pensada.

Construção de hidrelétricas

Jorge Werneck: A construção de grandes barragens altera consideravelmente o regime dos rios.  Dependendo de onde sejam construídas essas barragens e de como seja feita a operação e a gestão, você pode causar impactos maiores do que os benefícios que elas podem gerar. Isso de uma forma geral é o que eu acho sobre o desenvolvimento da agricultura e do setor elétrico.

Sobre o conhecimento

Jorge Werneck: Conhecimento sempre vai faltar. É impossível conhecermos completamente o que acontece na natureza, em todos os rios, em todos os locais. Precisamos continuar evoluindo nos estudos hidrológicos.

Boas práticas

Jorge Werneck: Uma coisa muito relevante é o zoneamento econômico e ecológico, desenvolvido para identificar o potencial de utilização e a capacidade de suporte das áreas dentro do Cerrado. Você precisa identificar se determinado local tem aptidão agrícola, por exemplo, porque se não tem, o custo para se trabalhar de forma adequada fica muito alto. Então, provavelmente, isso não vai acontecer. Precisamos identificar quais são as áreas mais apropriadas. Aí acho que está o papel do Estado: fornecer estrutura e informação para que isso ocorra de forma adequada.

O papel do Governo e da Sociedade Civil

Jorge Werneck: O papel do Estado é organizar toda a base de informações que ele mesmo precisa na definição do potencial de utilização dessas áreas. Não que ele tenha que fazer isso sozinho. As empresas que vão fazer os empreendimentos e que tem interesse nos empreendimentos já fazem estudos, alguns inclusive, muito bons. Muitas vezes esses estudos são colocados numa prateleira e quando vai ser feita uma nova ação na mesma região, é como se aquele estudo tivesse sido esquecido.
Acho que deve funcionar como uma parceria, não só na esfera pública. Penso que as ONGs entram nessa parceria para verificar e acompanhar de perto, tentando trazer um equilíbrio entre as forças econômicas e políticas com a vontade da sociedade.
Hoje, quando se fala em gestão de recursos hídricos, sabemos que os comitês de bacia são formados por representantes do Estado, usuários da água da bacia e organizações civis de recursos hídricos. É neste cenário que se aprovam os planos de bacia. Acho que a participação das ONGs de forma ativa dentro desses comitês, por exemplo, é uma forma muito interessante e legítima de participação. As ONGs têm o papel fundamental de fazer o link entre a sociedade e o Estado, mas também devem ser um difusor das decisões do Estado para a sociedade.

Fonte: Google Images

De cor castanho-avermelhada, o Buriti (Mauritia flexuosa) é um fruto que ocorre nas veredas* do Cerrado. O buritizeiro, como é chamada a árvore, pode chegar até 30m de altura e possui floração e frutificação ao longo de todo o ano. A espécie abriga a arara-canindé, pássaro que se alimenta do Buriti e é responsável pela propagação das sementes do fruto.

Um dos principais usos do Buriti é na culinária. A polpa é comestível e pode ser utilizada na fabricação de doces, sorvetes, sucos e geléias. As folhas servem como cobertura para telhados e as fibras (seda do buriti), usadas para a confecção de artesanatos.

O Buriti tem ampla distribuição em toda América tropical, desde o Peru, Colômbia, Venezuela, Trinidad até o Brasil. No Brasil, a espécie ocorre nas regiões do AM, BA, CE, GO, MA, MT, MS, PA, PI, SP, TO.
* Veredas são constituídas de um brejo graminoso herbáceo, em fundo de vale ao longo, de mata de galeria com buritis.

Com informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA

Receitas com Buriti:

Suco de buriti

Ingredientes:
1 l de água
4 colheres de sopa de polpa de buriti
Açúcar a gosto
Modo de preparo:
Bata todos os ingredientes no liquidificador, coar e servir gelado.

Doce de buriti

Ingredientes:
1 Kg de polpa de buriti
700 g de açúcar
Modo de preparo:
Misturar os ingredientes até dissolver o açúcar, levar ao fogo mexendo sempre até a mistura soltar do fundo da panela.
Dica: O doce também pode servir como recheio para de bombons.

O documento foi apresentado pela Ecodata e representa a participação da sociedade civil na construção de políticas públicas para o bioma

Em reunião realizada no último dia 22, a Agência Brasileira de Meio Ambiente e Tecnologia da Informação (Ecodata) apresentou ao Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) uma Moção com indicações de propostas referentes ao tema Economia Verde no bioma Cerrado. O documento foi rejeitado por maioria de votos.  Esta mesma moção foi aprovada pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente de Goiás (CEMAm – GO), em reunião realizada no dia 19 de dezembro do ano passado.

Constam na Moção indicações resultantes do “I Seminário sobre Economia Verde no Cerrado e III Seminário sobre Agroextrativismo no Cerrado”, encontro realizado pela Ecodata e pela Frente Parlamentar Ambientalista em novembro do ano passado. O evento reuniu sociedade civil organizada, autoridades políticas, técnicos, pesquisadores e empreendedores sociais no debate sobre a criação de um Marco Regulatório para o Cerrado e propostas relacionadas ao bioma para discussão na Conferência Rio+20.

O presidente do Conselho da Ecodata, Donizete Tokarski comenta que apresentar a Moção ao órgão de esfera federal teve como objetivo dar publicidade aos interesses dos envolvidos na elaboração do documento. “Os colegas do CONAMA não tiveram a sensibilidade de perceber a importância da manifestação política de centenas de pessoas que se reuniram para debater a Economia Verde no Cerrado”, afirma.

Donizete diz que a oportunidade era uma maneira de repercutir a vontade do grupo que esteve reunido durante os Seminários e lamenta a rejeição: “Infelizmente os colegas não compreenderam a manifestação. Não houve a receptividade por falta de percepção e de conhecimento dos problemas que o Cerrado enfrenta. Isto demonstra cada vez mais que ainda há um preconceito com relação ao Cerrado.”

A aprovação do documento pelo CONAMA significaria um ponto a favor junto ao Governo. Ignorando a rejeição, a Ecodata deve ir em frente com as indicações. “Queremos que o Cerrado tenha políticas públicas que cubram todo o bioma. As indicações e os trabalhos de mobilização das autoridades vão continuar. Foi isso que apresentamos e iremos dar continuidade”, afirma o presidente do conselho da Agência.

Clique aqui e Leia a Moção na íntegra

Fonte: Google Images

Cientificamente conhecida como Vellozia squamata, a Canela-de-ema é uma espécie que ocorre no DF, Goiás, Mato Grosso, Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Encontrada no Cerrado, Campo Sujo e Cerradão Distrófico, a espécie floresce no período que compreende os meses de março a junho.

A Canela-de-ema é uma planta ornamental. É uma espécie resistente às queimadas e brota rapidamente após a ação nociva do fogo. As flores são comestíveis e têm coloração roxo-azulada, variando do lilás ao branco, mas sempre com o miolo amarelo. As folhas têm potencial forrageiro, selecionadas pelo gado bovino principalmente na época seca.

Com informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa