Dia 17, o estande da Ecodata Cerrado/Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS) recebeu visitas especiais. Uma delas foi a do pesquisador da Embrapa, Jorge Werneck.

Durante a visita, o pesquisador pode conhecer o projeto do Arco das Nascentes, idealizado pela Ecodata e uma das mais novas pautas da agenda do Cerrado.

Em abril, Jorge Werneck falou ao Ecodata Informa sobre a importância do Cerrado para os recursos hídricos brasileiros, os impactos causados pelo desmatamento do bioma e o papel do Governo e da sociedade nesse contexto. Confira a entrevista AQUI.

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Parceiro da Ecodata Cerrado em diversas ações, o deputado distrital Joe Valle visitou dia 17, o estande onde o Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS) e a Ecodata apresentam ao público da Rio+20 o bioma Cerrado.

O deputado conheceu a cartilha “Cerrado Sempre Vivo”, uma publicação realizada pelo senador Rodrigo Rollemberg em parceria com a Ecodata. A cartilha apresenta o Cerrado e aborda importantes questões como conservação, desafios, legislação e perspectivas para o futuro.

Neste mês o blog da Ecodata Cerrado entrevistou o senador Rodrigo Rollemberg. Defensor entusiasta do Cerrado, o senador falou ao Ecodata Informa sobre os desafios ambientais que se colocam para a conservação do Cerrado, a participação do bioma na Rio +20 e as expectativas em relação aos impactos da Conferência. Confira a entrevista AQUI.

A Agência Brasileira de Meio Ambiente e Tecnologia da Informação – Ecodata, e o Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS – UnB), preparam juntos uma participação significativa do bioma Cerrado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O evento marca os vinte anos de realização da Rio-92 e pretende contribuir para definir a agenda do desenvolvimento sustentável mundial para as próximas décadas.

Para o diretor do CDS o professor Dr. Saulo Rodrigues, esta é uma excelente oportunidade para destacar a vulnerabilidade do bioma Cerrado. “O Cerrado precisa estar em evidência na Conferência. Apresentaremos a frágil realidade da região. E para esse desafio convidamos a Ecodata como parceira, por ser uma instituição séria e que atua veemente pela conservação da sociobiodiversidade do Bioma”, afirma o professor.

Para o engenheiro agrônomo e presidente do Conselho da Ecodata, Donizete Torkaski, o Cerrado ainda não recebe a devida importância do ponto de vista de conservação no Brasil. Donizete afirma que deve-se chamar atenção do mundo para a necessidade de reconhecer o bioma como patrimônio nacional, por ser uma área de relevante interesse em conservação e que, nos últimos 50 anos, teve mais de 50% de sua vegetação original suprimida.

“Vamos disponibilizar informações sobre o bioma para a sociedade. Uma equipe de agentes ambientais responderá questões sobre características, produtos naturais, alimentares e artesanais da região. Também propomos discutir a legislação que trata do Cerrado, a aprovação da PEC 115\95. A proposta é articular junto à sociedade uma lei específica. Entendemos que o Bioma precisa de uma lei federal e leis estaduais, sobre a potencialidade do seu uso e conservação. Além disso, faremos uma campanha interativa, onde produziremos pequenos vídeos abordando a vivência e a expectativa com relação ao Cerrado”, explica Donizete.

Para a Ecodata é preciso aproveitar a oportunidade que a Rio+20 oferece e colocar o bioma Cerrado em pauta para sociedade e imprensa mundial, além de promover o debate e proporcionar novas idéias e comportamentos.

“A partir desse debate esperamos que as decisões acertadas sejam possíveis de avançar na defesa da conservação do meio ambiente como um todo. Entretanto, será difícil acontecer por falta de compromisso de alguns países e de algumas lideranças que atuam na área ambiental. Mas, acredito que a Rio+ 20 vai deixar para todos nós uma responsabilidade maior que é o trabalho permanente de conscientização e mudança de paradigmas da sociedade. Dessa forma, nas próximas rodadas de negociação poderemos efetivamente avançar no sentido de promover uma vida melhor na sociedade, em harmonia com meio ambiente”, afirma o engenheiro agrônomo.

Professor Saulo concorda, “Mais importante que o resultado da Conferência, é o legado que ela vai deixar. Quando tudo tiver terminado, a sociedade, as instituições e o governo brasileiro, todos estarão mais mobilizados em prol do meio ambiente. E finalmente entrará de maneira prática na agenda social, o desenvolvimento sustentável”, conclui o diretor do CDS.

Estas preocupações acerca do bioma Cerrado serão abordadas no dia 20 de junho, às 16h no Seminário Cerrado Sustentável na Green Rio, onde importantes personalidades que atuam em defesa do Cerrado estarão presentes. Além de Donizete Torkaski, estarão presentes o senador Rodrigo Rollemberg e o deputado distrital Joe Valle.

Representantes da Ecodata na Rio+20 junto com o diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília, Saulo Rodrigues. 

Sobre

Ecodata

A Agência Brasileira de Meio Ambiente e Tecnologia da Informação – Ecodata, é uma associação civil de caráter socioambiental, sem fins econômicos, de âmbito nacional, com sede em Brasília. A atuação da Ecodata é marcada por importantes realizações, resultado de ações efetivas na elaboração e implementação de Programas e Projetos nas áreas de meio ambiente e recursos hídricos, apoiando a proteção, recuperação, conservação, gestão, manejo e uso sustentável dos recursos naturais, viabilizados por meio de parcerias com a iniciativa pública, privada e organismos governamentais.

Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB

O Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS), criado em 1995, é uma unidade permanente da UnB. Dedicado ao ensino, à pesquisa e à extensão, o CDS mantém o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável (PPG-CDS), que começou a funcionar em 1996, e desenvolve estudos e pesquisas interdisciplinares sobre o meio ambiente e a sociedade.

Defensor entusiasta do Cerrado. O senador Rodrigo Rollemberg falou ao Ecodata Informa sobre os desafios ambientais que se colocam para a conservação do Cerrado, a participação do bioma na Rio +20 e as expectativas em relação aos impactos da Conferência.

Confira a entrevista.

Ecodata Informa: Com o objetivo de buscar informações que subsidiam a elaboração de projeto de lei de proteção ambiental para o bioma Cerrado, ocorreu, em maio, audiência pública com o tema: Preservação do Cerrado e Rio+20, promovida pela Comissão de Meio Ambiente, onde o senhor é o presidente. Quais foram os resultados desta discussão? Quais as próximas etapas?

Senador Rodrigo Rollemberg: Nessa reunião defendemos, junto com especialistas convidados, a criação de uma legislação específica para o Cerrado. Estamos levantando mais subsídios para um possível projeto de proteção a esse bioma, que é o segundo maior do País, depois da Amazônia. Contudo, o ideal é que a Câmara aprove, o quanto antes, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC  115) do Cerrado, que tramita desde 1995. A matéria está pronta para apreciação do plenário. Além da PEC 115 há outras propostas de conteúdo semelhante, como a PEC  51/2003, já aprovada no Senado e remetida à Câmara. Falta um acordo de plenário para que os deputados apreciem essas propostas. Em conversas com presidente da Câmara, já solicitei agilidade na votação das proposições que valorizam e protegem nosso Cerrado.

Ecodata Informa: Considerando os desafios ambientais que se colocam para a conservação do Cerrado, existe uma expectativa  sobre os principais impactos da Rio+20  e como estes contribuirão para a preservação do bioma. Para o senhor, qual legado a Rio+20 vai deixar para a conservação do Cerrado?

Senador Rodrigo Rollemberg: Há muita expectativa em torno da Rio+20. Sabemos que a conferência não produzirá documentos como a Rio-92, que resultou em 3 convenções e na Agenda 21. Mesmo assim,  defendo  e confio que a Rio+20 deixe um legado interno. A prioridade deve ser a definição de metas de implementação dos compromissos assumidos no Rio de Janeiro há 20 anos, os chamados objetivos do desenvolvimento sustentável. Esses objetivos precisam ser práticos, como por exemplo a redução de 70% para 60% da água utilizada na agricultura. A atividade agrícola é a maior consumidora de água, utiliza cerca de 70% da água do planeta. Segundo renomados cientistas, com mais tecnologia e uso eficiente, teremos condições de reduzir 10% da utilização da água na agricultura. Essas e outras medidas terão impacto positivo não só no Cerrado, mas nos demais biomas brasileiros.

Ecodata Informa: O presidente da Ecodata, Donizete Tokarski, chama a atenção para a necessidade da criação de um programa especial de proteção para áreas de nascentes do Cerrado, “Arco das Nascentes”.   Para o senhor, qual a importância de se transformar o Arco das Nascentes em uma área prioritária de conservação?

Senador Rodrigo Rollemberg: Essa  proposta é fundamental para a conservação dos recursos hídricos, pois se as cabeceiras  não forem protegidas não há como preservar  o bioma da região do Arco das Nascentes,  que reúne vários rios, responsáveis  pelo fornecimento de grande parte da água que abastece as principais bacias brasileiras. O Cerrado é a verdadeira caixa d ‘água  do Brasil e necessita de programas como esse, para salvaguardar seus recursos hídricos e sua biodiversidade,  antes que seja tarde demais, pois muitas espécies da fauna e da flora já desapareceram.

Ecodata Informa: Para o senhor, por que é tão difícil vencer o desafio  de  combinar produção e proteção do Cerrado, bioma que reúne 5% da biodiversidade do planeta?

Senador Rodrigo Rollemberg: Na prática não é difícil, se utilizarmos  todo conhecimento disponível e novas tecnologias de plantio. Dados da Embrapa indicam  que de 1975 a 2010 a área colhida com relação a grãos cresceu em 45,6%, enquanto a produção aumentou em 268%. Com novas tecnologias, podemos aumentar a produção sem devastar novas áreas. Outra questão que pode melhorar é a baixa  ocupação por cabeça na produção agropecuária, que é de uma cabeça por hectare. Aumentando essa ocupação de forma sistemática teremos áreas liberadas. No país, 200 milhões de hectares são utilizados pela pecuária. Se conseguíssemos dobrar a produtividade em 10 ou 20 anos, mantendo o mesmo rebanho, estaríamos liberando 100 milhões de hectares, que poderiam ser utilizados para a produção de alimentos, de agroenergia, para aumentar a capacidade produtiva brasileira sem precisar avançar em novos biomas.

Ecodata Informa: Até o ano de 2008, mais de 47,9% da cobertura original do Cerrado já havia sido desmatada. Para o senhor, por que o Bioma Cerrado nunca foi prioridade nas pautas públicas, quando o assunto é preservação?

Senador Rodrigo Rollemberg: De fato, apesar de alguns esforços de parlamentares e governo para chamar a atenção  para o Cerrado, quem tem ocupado o centro das discussões mundiais é o bioma Amazônia, cujo significado é emblemático para o mundo, devido à exuberância de suas florestas. Entretanto, no Cerrado o desmatamento é mais grave que na Amazônia, onde a área de floresta remanescente é de cerca de 82%, enquanto no Cerrado essa área é de 52% . Até o ano de 2008, aproximadamente  97,6 milhões de hectares  do Cerrado já haviam sido desmatados. Este é um dado alarmante, mas creio que essa realidade  aos poucos será revertida com o apoio de políticas públicas, ações legislativas e o trabalho de diversas organizações que lutam pelo Cerrado, a exemplo da própria Ecodata.

Ecodata Informa: Como a senhor avalia o Código Florestal  após os vetos da presidente Dilma Roussef? O Cerrado será beneficiado ou não com o novo código?

Senador Rodrigo Rollemberg: Depois dos vetos, praticamente será construído um outro  Código Florestal a partir da Medida Provisória 571/12. A proposta já recebeu mais de 600 emendas no Senado. Eu  apresentei emenda visando a proteção das nascentes e olhos d´água, que são estratégicos para o futuro do País e a sustentabilidade da agricultura. A emenda disciplina o tratamento da recuperação das nascentes. Pela minha sugestão, nos casos de áreas rurais consolidadas em Áreas de Preservação Permanente (APP), no entorno de nascentes e olhos d’água, será admitida a manutenção de atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo ou de turismo rural, sendo obrigatória a recomposição do raio mínimo de 30 metros. Espero que, no final, o Código Florestal resgate o texto aprovado pelo Senado, que apesar de não ser perfeito  confere mais proteção às APPs e define inovações, como instrumentos econômicos para preservar os recursos naturais.

A Lobeira, também conhecida por jurubebão, beringela-do-campo ou maçã-do-cerrado, pode ser um pequeno arbusto ou uma árvore de até 5 metros de altura, distribuída por todo o bioma Cerrado. A flor da Lobeira é hermafrodita e encanta por sua beleza de cor azul arroxeada e estigma amarelo.

Cientificamente chamada de Solanum lycocarpum St. Hil, a Lobeira floresce ao longo de todo o ano, mas nos meses de dezembro a março é comum encontrá-la carregada de flores roxas que originam frutos arredondados e de cor verde.

A espécie pode ser encontrada em regiões como o Paraná, Rio de Janeiro, Pará e Amazonas. É também comum a ocorrência em áreas alteradas pelo homem, como beira de estradas, por exemplo.

Utilização medicinal da lobeira

Indicações Parte usada Preparo e dosagem
a. emoliente, anti-reumática a. folhas a. banho e compressa: 1 xícara de chá de folhas picadas para 1 litro de água fervente. Aplicar nos locais afetados 4 vezes ao dia por 10 minutos. Xarope: macerar 1 xícara de chá de rodelas do fruto e flores. Despejar ½ litro de água fervente. Deixar repousar por 12 horas. Coar, levar ao fogo 3 xícaras de açúcar cristal e preparar uma calda. Adicionar à calda a infusão preparada e mexer por 5 minutos. Guardar em um frasco de vidro muito bem limpo. Beber de 5 a 6 colheres de sopa ao dia.
b. tônico, contra asma, gripes e resfriados b. flores e frutos b. infuso: 1 xícara de chá de flores e rodelas do fruto para 1 litro de água fervente. Deixar esfriar. Adoçar com mel. Beber de 4 a 5 xícaras de café do chá ao dia.

Fonte: Rodigues, V.E.G. & Carvalho, D.A. 2001. Plantas Medicinais no domínio dos cerrados. Lavras, UFLA. 180p.

Com informações de: Silva, D.B. da; et al., 2001. Frutas do Cerrado. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica