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Arquivo mensal: junho 2012

Artistas goianos se unem para denunciar a destruição do bioma

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20 vai receber uma atração que pretende aguçar os sentidos dos visitantes, a videoconferência sensorial Brasil Cerrado.

Criada pelo artista plástico Siron Franco, nascido em Goiás, a obra teve como inspiração as belas fotos do também goiano Rui Faquini, que há 40 anos registra as belezas e peculiaridades do bioma. A proposta da amostra é aproximar o visitante dos encantos do Cerrado e chamar a atenção para a devastação e o desmatamento que acontece na região.

O convite para participar da Conferência Rio+20 foi feito pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em visita à Goiás quando participou de seminários a favor da conservação do Cerrado, em 2011. Siron  aceitou o desafio e convidou o amigo fotógrafo. “Eu recebi o convite e imediatamente lembrei do Faquini. Somos amigos há mais de 35 anos e juntos compartilhamos a paixão pelo cerrado brasileiro”, conta o artista.

As fotos, utilizadas para inspirar, são para o fotógrafo uma oportunidade de alertar à população mundial sobre a dura realidade que assola o bioma. “Nasci e cresci brincando no Cerrado, minha relação com a região é muita íntima. Esta é a chance de levar a importância e a dimensão desse Bioma extremamente rico para o mundo”, diz Faquini.

Brasil Cerrado

Com mais de 600m² de área montada, distribuída em quatro salas e dois megapainéis, a instalação permitirá que a flora e a fauna do Cerrado sejam sentidas por meio de aromas (como o de grama molhada) apresentados em grandes projeções com alta definição, esculturas, fotos e textos, com sons específicos.

Na segunda etapa, o visitante atravessará um corredor de fogo e finalmente irá deparar-se com a destruição do Cerrado brasileiro.  Ao fim da visita, o público poderá ver mapas da degradação, em tempo real, via satélite, diretamente do site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

“Estou trabalhando com o conceito: belezas que estamos perdendo. Não estou trabalhando o conceito de destruição. A proposta é causar o conforto e ao mesmo tempo o desconforto. Conforto na paz que a natureza nos proporciona e desconforto quando encaramos a destruição produzida pelo homem”, afirma Siron.

Quando o assunto são as expectativas sobre os principais impactos da Rio+20  e como estes contribuirão para a conservação do Cerrado, Siron prefere não criar muitas perspectivas. “Sou um fazedor, não gosto de criar muitas esperanças, gosto de fazer sem esperar muito”, diz o artista plástico.  Já Faquini se mostra mais otimista e afirma: “Siron é um amante do Cerrado, como eu, e agora temos a oportunidade de juntos mostrarmos como a arte pode contribuir para alertar o mundo sobre o futuro que nós queremos para o Cerrado”, diz o fotógrafo.

Fonte: Reginaldo Baião

Fonte: Mauricio Mercadante

Com ocorrência no cerrado sentido restrito, cerradão distrófico e campos, a Faveira é uma árvore tortuosa que pode alcançar entre 8 e 14 metros de altura. A espécie pode ser encontrada no DF e nas regiões de GO, BA, AM, MA, MG, MS, MT, PA, PI, SP e TO. Conhecida cientificamente como Dimorphandra mollis Benth, a Faveira possui outros nomes populares como fava de arara, fava de anta e falso barbatimão.

Os frutos desta espécie possuem até 15cm de comprimento e 4cm de largura. Quando maduros possuem uma coloração marrom e cada uma das vagens produz entre 10 e 21 sementes alongadas e avermelhadas. A frutificação da Faveira acontece no período de abril a agosto.

A espécie possui alto potencial medicinal por conter flavonóides, em especial a rutina, uma substância utilizada na fabricação de medicamentos para problemas circulatórios.  Antioxidante e antiinflamatória, a rutina, quando associada à vitamina C, também é útil para a resistência e a permeabilidade dos vasos capilares.

Com informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa e do livro “100 árvores do Cerrado”, de Manoel Cláudio da Silva Júnior.

Enviado por Rubens Pessoa, Jornalista e Professor.

Aprendi uma lição com os ipês: a beleza de um não diminui a beleza do outro. Eles conseguem ser belos juntos e quantos mais e mais próximos tornam o todo mais bonito.

Os padrões culturais e a formação da consciência social enquadraram o conceito de beleza. O bonito parece concreto, mascarado, plástico. O belo se confunde com o prático o comercial.

Vale a pena olhar para a semente e a partir dela reconstruir o conceito de beleza.

A semente tem em si todas as potências, todas as belezas, mas precisa ser enterrada, esconder-se, morrer, para expandir e mostrar o belo oculto dentro dela. A semente em si é tudo e nada. O seu valor está no cultivo no cuidado. No olhar do outro, no investimento de um terceiro e de um cuidado paulatino até que ela cresça e desenvolva todas as suas etapas de beleza.

Primeiro a beleza virgem do broto, suas primeiras folhas. Depois a beleza adolescente cheia de aspectos desconstruídos, galhos tortos que maltratados pela seca ganham força e robustez. Em seguida a beleza da maturidade. Até surgir a beleza anciã, cansada. E por fim a beleza da morte,  aquela que permite que a beleza ceda o lugar a uma outra.

Isso me lembra a época seca nos cerrados, lembram-me os ipês brasilienses que, na época que o clima mais exige, mostram todo o seu esplendor. Mas antes perdem todas as folhas. Vazios de si, perdem tudo para conquistar a pureza das flores. Permitem depois de sua ascese que os olhares contemplem sua explosão de cores.

Há que se fugir dos agrotóxicos, è preciso voltar ao cultivo natural.

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