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Arquivo mensal: junho 2012

Defensor entusiasta do Cerrado. O senador Rodrigo Rollemberg falou ao Ecodata Informa sobre os desafios ambientais que se colocam para a conservação do Cerrado, a participação do bioma na Rio +20 e as expectativas em relação aos impactos da Conferência.

Confira a entrevista.

Ecodata Informa: Com o objetivo de buscar informações que subsidiam a elaboração de projeto de lei de proteção ambiental para o bioma Cerrado, ocorreu, em maio, audiência pública com o tema: Preservação do Cerrado e Rio+20, promovida pela Comissão de Meio Ambiente, onde o senhor é o presidente. Quais foram os resultados desta discussão? Quais as próximas etapas?

Senador Rodrigo Rollemberg: Nessa reunião defendemos, junto com especialistas convidados, a criação de uma legislação específica para o Cerrado. Estamos levantando mais subsídios para um possível projeto de proteção a esse bioma, que é o segundo maior do País, depois da Amazônia. Contudo, o ideal é que a Câmara aprove, o quanto antes, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC  115) do Cerrado, que tramita desde 1995. A matéria está pronta para apreciação do plenário. Além da PEC 115 há outras propostas de conteúdo semelhante, como a PEC  51/2003, já aprovada no Senado e remetida à Câmara. Falta um acordo de plenário para que os deputados apreciem essas propostas. Em conversas com presidente da Câmara, já solicitei agilidade na votação das proposições que valorizam e protegem nosso Cerrado.

Ecodata Informa: Considerando os desafios ambientais que se colocam para a conservação do Cerrado, existe uma expectativa  sobre os principais impactos da Rio+20  e como estes contribuirão para a preservação do bioma. Para o senhor, qual legado a Rio+20 vai deixar para a conservação do Cerrado?

Senador Rodrigo Rollemberg: Há muita expectativa em torno da Rio+20. Sabemos que a conferência não produzirá documentos como a Rio-92, que resultou em 3 convenções e na Agenda 21. Mesmo assim,  defendo  e confio que a Rio+20 deixe um legado interno. A prioridade deve ser a definição de metas de implementação dos compromissos assumidos no Rio de Janeiro há 20 anos, os chamados objetivos do desenvolvimento sustentável. Esses objetivos precisam ser práticos, como por exemplo a redução de 70% para 60% da água utilizada na agricultura. A atividade agrícola é a maior consumidora de água, utiliza cerca de 70% da água do planeta. Segundo renomados cientistas, com mais tecnologia e uso eficiente, teremos condições de reduzir 10% da utilização da água na agricultura. Essas e outras medidas terão impacto positivo não só no Cerrado, mas nos demais biomas brasileiros.

Ecodata Informa: O presidente da Ecodata, Donizete Tokarski, chama a atenção para a necessidade da criação de um programa especial de proteção para áreas de nascentes do Cerrado, “Arco das Nascentes”.   Para o senhor, qual a importância de se transformar o Arco das Nascentes em uma área prioritária de conservação?

Senador Rodrigo Rollemberg: Essa  proposta é fundamental para a conservação dos recursos hídricos, pois se as cabeceiras  não forem protegidas não há como preservar  o bioma da região do Arco das Nascentes,  que reúne vários rios, responsáveis  pelo fornecimento de grande parte da água que abastece as principais bacias brasileiras. O Cerrado é a verdadeira caixa d ‘água  do Brasil e necessita de programas como esse, para salvaguardar seus recursos hídricos e sua biodiversidade,  antes que seja tarde demais, pois muitas espécies da fauna e da flora já desapareceram.

Ecodata Informa: Para o senhor, por que é tão difícil vencer o desafio  de  combinar produção e proteção do Cerrado, bioma que reúne 5% da biodiversidade do planeta?

Senador Rodrigo Rollemberg: Na prática não é difícil, se utilizarmos  todo conhecimento disponível e novas tecnologias de plantio. Dados da Embrapa indicam  que de 1975 a 2010 a área colhida com relação a grãos cresceu em 45,6%, enquanto a produção aumentou em 268%. Com novas tecnologias, podemos aumentar a produção sem devastar novas áreas. Outra questão que pode melhorar é a baixa  ocupação por cabeça na produção agropecuária, que é de uma cabeça por hectare. Aumentando essa ocupação de forma sistemática teremos áreas liberadas. No país, 200 milhões de hectares são utilizados pela pecuária. Se conseguíssemos dobrar a produtividade em 10 ou 20 anos, mantendo o mesmo rebanho, estaríamos liberando 100 milhões de hectares, que poderiam ser utilizados para a produção de alimentos, de agroenergia, para aumentar a capacidade produtiva brasileira sem precisar avançar em novos biomas.

Ecodata Informa: Até o ano de 2008, mais de 47,9% da cobertura original do Cerrado já havia sido desmatada. Para o senhor, por que o Bioma Cerrado nunca foi prioridade nas pautas públicas, quando o assunto é preservação?

Senador Rodrigo Rollemberg: De fato, apesar de alguns esforços de parlamentares e governo para chamar a atenção  para o Cerrado, quem tem ocupado o centro das discussões mundiais é o bioma Amazônia, cujo significado é emblemático para o mundo, devido à exuberância de suas florestas. Entretanto, no Cerrado o desmatamento é mais grave que na Amazônia, onde a área de floresta remanescente é de cerca de 82%, enquanto no Cerrado essa área é de 52% . Até o ano de 2008, aproximadamente  97,6 milhões de hectares  do Cerrado já haviam sido desmatados. Este é um dado alarmante, mas creio que essa realidade  aos poucos será revertida com o apoio de políticas públicas, ações legislativas e o trabalho de diversas organizações que lutam pelo Cerrado, a exemplo da própria Ecodata.

Ecodata Informa: Como a senhor avalia o Código Florestal  após os vetos da presidente Dilma Roussef? O Cerrado será beneficiado ou não com o novo código?

Senador Rodrigo Rollemberg: Depois dos vetos, praticamente será construído um outro  Código Florestal a partir da Medida Provisória 571/12. A proposta já recebeu mais de 600 emendas no Senado. Eu  apresentei emenda visando a proteção das nascentes e olhos d´água, que são estratégicos para o futuro do País e a sustentabilidade da agricultura. A emenda disciplina o tratamento da recuperação das nascentes. Pela minha sugestão, nos casos de áreas rurais consolidadas em Áreas de Preservação Permanente (APP), no entorno de nascentes e olhos d’água, será admitida a manutenção de atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo ou de turismo rural, sendo obrigatória a recomposição do raio mínimo de 30 metros. Espero que, no final, o Código Florestal resgate o texto aprovado pelo Senado, que apesar de não ser perfeito  confere mais proteção às APPs e define inovações, como instrumentos econômicos para preservar os recursos naturais.

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A Lobeira, também conhecida por jurubebão, beringela-do-campo ou maçã-do-cerrado, pode ser um pequeno arbusto ou uma árvore de até 5 metros de altura, distribuída por todo o bioma Cerrado. A flor da Lobeira é hermafrodita e encanta por sua beleza de cor azul arroxeada e estigma amarelo.

Cientificamente chamada de Solanum lycocarpum St. Hil, a Lobeira floresce ao longo de todo o ano, mas nos meses de dezembro a março é comum encontrá-la carregada de flores roxas que originam frutos arredondados e de cor verde.

A espécie pode ser encontrada em regiões como o Paraná, Rio de Janeiro, Pará e Amazonas. É também comum a ocorrência em áreas alteradas pelo homem, como beira de estradas, por exemplo.

Utilização medicinal da lobeira

Indicações Parte usada Preparo e dosagem
a. emoliente, anti-reumática a. folhas a. banho e compressa: 1 xícara de chá de folhas picadas para 1 litro de água fervente. Aplicar nos locais afetados 4 vezes ao dia por 10 minutos. Xarope: macerar 1 xícara de chá de rodelas do fruto e flores. Despejar ½ litro de água fervente. Deixar repousar por 12 horas. Coar, levar ao fogo 3 xícaras de açúcar cristal e preparar uma calda. Adicionar à calda a infusão preparada e mexer por 5 minutos. Guardar em um frasco de vidro muito bem limpo. Beber de 5 a 6 colheres de sopa ao dia.
b. tônico, contra asma, gripes e resfriados b. flores e frutos b. infuso: 1 xícara de chá de flores e rodelas do fruto para 1 litro de água fervente. Deixar esfriar. Adoçar com mel. Beber de 4 a 5 xícaras de café do chá ao dia.

Fonte: Rodigues, V.E.G. & Carvalho, D.A. 2001. Plantas Medicinais no domínio dos cerrados. Lavras, UFLA. 180p.

Com informações de: Silva, D.B. da; et al., 2001. Frutas do Cerrado. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica

Enviado por Simone Santos.

”A primeira vez que vi Deus!” É assim que posso descrever esse momento, a sensação de se banhar em uma cachoeira é como lavar a alma, a paz que isso nos trás é como uma oração! O cerrado nos surpreende, nos dando esse paraíso e nos faz entender a importância da sua preservação. A convivência com a natureza é uma troca; nós a preservamos e ela nós agradece com esses momentos mágicos”

Também quer participar? Saiba como nesse link.

Artistas goianos se unem para denunciar a destruição do bioma

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20 vai receber uma atração que pretende aguçar os sentidos dos visitantes, a videoconferência sensorial Brasil Cerrado.

Criada pelo artista plástico Siron Franco, nascido em Goiás, a obra teve como inspiração as belas fotos do também goiano Rui Faquini, que há 40 anos registra as belezas e peculiaridades do bioma. A proposta da amostra é aproximar o visitante dos encantos do Cerrado e chamar a atenção para a devastação e o desmatamento que acontece na região.

O convite para participar da Conferência Rio+20 foi feito pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em visita à Goiás quando participou de seminários a favor da conservação do Cerrado, em 2011. Siron  aceitou o desafio e convidou o amigo fotógrafo. “Eu recebi o convite e imediatamente lembrei do Faquini. Somos amigos há mais de 35 anos e juntos compartilhamos a paixão pelo cerrado brasileiro”, conta o artista.

As fotos, utilizadas para inspirar, são para o fotógrafo uma oportunidade de alertar à população mundial sobre a dura realidade que assola o bioma. “Nasci e cresci brincando no Cerrado, minha relação com a região é muita íntima. Esta é a chance de levar a importância e a dimensão desse Bioma extremamente rico para o mundo”, diz Faquini.

Brasil Cerrado

Com mais de 600m² de área montada, distribuída em quatro salas e dois megapainéis, a instalação permitirá que a flora e a fauna do Cerrado sejam sentidas por meio de aromas (como o de grama molhada) apresentados em grandes projeções com alta definição, esculturas, fotos e textos, com sons específicos.

Na segunda etapa, o visitante atravessará um corredor de fogo e finalmente irá deparar-se com a destruição do Cerrado brasileiro.  Ao fim da visita, o público poderá ver mapas da degradação, em tempo real, via satélite, diretamente do site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

“Estou trabalhando com o conceito: belezas que estamos perdendo. Não estou trabalhando o conceito de destruição. A proposta é causar o conforto e ao mesmo tempo o desconforto. Conforto na paz que a natureza nos proporciona e desconforto quando encaramos a destruição produzida pelo homem”, afirma Siron.

Quando o assunto são as expectativas sobre os principais impactos da Rio+20  e como estes contribuirão para a conservação do Cerrado, Siron prefere não criar muitas perspectivas. “Sou um fazedor, não gosto de criar muitas esperanças, gosto de fazer sem esperar muito”, diz o artista plástico.  Já Faquini se mostra mais otimista e afirma: “Siron é um amante do Cerrado, como eu, e agora temos a oportunidade de juntos mostrarmos como a arte pode contribuir para alertar o mundo sobre o futuro que nós queremos para o Cerrado”, diz o fotógrafo.

Fonte: Reginaldo Baião

Fonte: Mauricio Mercadante

Com ocorrência no cerrado sentido restrito, cerradão distrófico e campos, a Faveira é uma árvore tortuosa que pode alcançar entre 8 e 14 metros de altura. A espécie pode ser encontrada no DF e nas regiões de GO, BA, AM, MA, MG, MS, MT, PA, PI, SP e TO. Conhecida cientificamente como Dimorphandra mollis Benth, a Faveira possui outros nomes populares como fava de arara, fava de anta e falso barbatimão.

Os frutos desta espécie possuem até 15cm de comprimento e 4cm de largura. Quando maduros possuem uma coloração marrom e cada uma das vagens produz entre 10 e 21 sementes alongadas e avermelhadas. A frutificação da Faveira acontece no período de abril a agosto.

A espécie possui alto potencial medicinal por conter flavonóides, em especial a rutina, uma substância utilizada na fabricação de medicamentos para problemas circulatórios.  Antioxidante e antiinflamatória, a rutina, quando associada à vitamina C, também é útil para a resistência e a permeabilidade dos vasos capilares.

Com informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa e do livro “100 árvores do Cerrado”, de Manoel Cláudio da Silva Júnior.

Enviado por Rubens Pessoa, Jornalista e Professor.

Aprendi uma lição com os ipês: a beleza de um não diminui a beleza do outro. Eles conseguem ser belos juntos e quantos mais e mais próximos tornam o todo mais bonito.

Os padrões culturais e a formação da consciência social enquadraram o conceito de beleza. O bonito parece concreto, mascarado, plástico. O belo se confunde com o prático o comercial.

Vale a pena olhar para a semente e a partir dela reconstruir o conceito de beleza.

A semente tem em si todas as potências, todas as belezas, mas precisa ser enterrada, esconder-se, morrer, para expandir e mostrar o belo oculto dentro dela. A semente em si é tudo e nada. O seu valor está no cultivo no cuidado. No olhar do outro, no investimento de um terceiro e de um cuidado paulatino até que ela cresça e desenvolva todas as suas etapas de beleza.

Primeiro a beleza virgem do broto, suas primeiras folhas. Depois a beleza adolescente cheia de aspectos desconstruídos, galhos tortos que maltratados pela seca ganham força e robustez. Em seguida a beleza da maturidade. Até surgir a beleza anciã, cansada. E por fim a beleza da morte,  aquela que permite que a beleza ceda o lugar a uma outra.

Isso me lembra a época seca nos cerrados, lembram-me os ipês brasilienses que, na época que o clima mais exige, mostram todo o seu esplendor. Mas antes perdem todas as folhas. Vazios de si, perdem tudo para conquistar a pureza das flores. Permitem depois de sua ascese que os olhares contemplem sua explosão de cores.

Há que se fugir dos agrotóxicos, è preciso voltar ao cultivo natural.

Também quer participar? Saiba como nesse link.